,

[Aventura de Outros Viajantes] Viagem de carro realizada pela Roseli e a pequena Fernandinha pela Argentina e Chile

Dando continuidade a nossa seção de posts com o relato de outros viajantes hoje vamos apresentar a viagem da Roseli e da Fernandinha de 9 anos.

As duas partiram de Curitiba no Paraná em uma aventura de carro pela Argentina e Chile passando por Mendoza na Argentina, atravessando a fronteira pelo espetacular Paso Los Libertadores, mais conhecido como Caracoles (detalhe: com neve!) e chegando a Santiago no Chile.

A Roseli foi muito determinada e corajosa, mesmo sem encontrar relatos de outras mulheres viajando de carro sozinhas com criança, foi persistente e partiu em busca da realização de um sonho, além de curtir ótimos momentos junto de sua filha.

Curtam este ótimo e divertido relato da Roseli, que inclui o roteiro, os passeios, uma ideia de custo, os perrengues, as fotos, corrupção policial, além de muitas outras informações.

Elas gostaram tanto que já estão planejando a próxima viagem de carro para o final deste ano com destino a Ushuaia!

Agradecemos a Roseli e a Fernandinha pela colaboração e disponibilidade em relatar esta aventura para nós e nossos leitores. Temos certeza que servirá de inspiração e encorajamento para muitos!

 

Fernandinha no carro 2

Fernandinha aproveitando a viagem

Dados da viagem

Viajantes: Roseli e Fernandinha (9 anos).
Período: dia 05 de julho a 23 de julho (19 dias).
Quilometragem total: 7500km
Países visitados: Argentina e Chile.
Veículo: Estrela Polar – um Fiat Novo Uno 2013 – 1.0
Objetivo geral: passarmos juntas momentos inesquecíveis e conhecer lugares incríveis.
Objetivo específico: Parque Provincial Aconcágua e chegar ao Chile pelos Caracoles, além de ver as montanhas nevadas dos Andes.
Objetivo dos objetivos: Viver um sonho e provar que vale a pena sonhar!

O relato

carro

O “Estrela Polar” carinhosamente batizado pela Fernandinha

Tudo começou com uma decepção:

Em janeiro de 2014, fizemos (eu e Fernandinha) uma viagem de 16 dias para Salvador, voltamos bastante tristes com a situação da sujeira das praias mais lindas e que amávamos, lixo e mais lixo…uma pena. A Fernandinha ficava com um saco recolhendo lixo, como se ela pudesse resolver o problema da educação de todo um povo. Foi então que decidi não ir mais para o Nordeste do Brasil, decidi que já estava na hora de seguir rumo ao sul, não somente o sul do Brasil, mas ao sul do nosso vasto continente. Estava na hora de irmos além.

O planejamento do projeto

Assim, em fevereiro (mal havia chegado) começamos a ler diversos relatos sobre viagens de carro, foram horas e horas de leitura, aproveitamos para ver diversos vídeos de viagens. No entanto, poucas relatavam viagens de carro com crianças e nenhuma com mulher ao volante e sozinha.

Fernandinha no carro

Fernandinha: a co-piloto

Então, resolvi escrever minha própria história, iria eu, minha filhinha que ia completar 9 aninhos num FIAT NOVO UNO 2013, 1.0. Somente para ilustrar, tenho 53 anos, sou formada em administração e economia e sou diretora de escola em Curitiba, filha de caminhoneiro e, devido a isso, tenho a estrada no meu DNA.

Decidido isso, o caso agora era definir o trajeto, nesse ponto achei o blog Viajando de Carro… Desde então fiquei maluca, não parei de ler, comecei às 20h e terminei no dia seguinte, sem parar. Quando amanheceu, a idéia estava toda formada na minha cabeça, eu já havia viajado muito de carro no Brasil e, em 2003, cheguei até Montevidéu, levando meus pais comigo mas, precisei voltar pois, eles eram idosos e ficaram cansados (hoje os meus velhinhos são falecidos).

Agora, eu queria mais, queria uma verdadeira aventura.

Fui ao shopping e encomendei na livraria dois excelentes e caros guias da Argentina. Aborreceu-me não ter disponíveis os guias para levar na hora pois, sou assim, imediatista. Mas, após a espera, os guias chegaram depois de uma semana. Um absurdo. Uma espera que me devastava. Kkk

Roseli 3

Roseli realizando um sonho

Porém, com a ajuda da santa internet, fui vendo o trajeto e colocando a quilometragem, minha filha já estava totalmente envolvida… Achou que o nosso carro devia ser chamado de “Estrela Polar” e assim foi feito. Meus alunos desenhavam e me presenteavam com bandeirinhas da Argentina, Chile e Brasil, embalados pela Copa do Mundo que batia às portas do Brasil.

No final do do planejamento, nosso roteiro ficou assim: Curitiba, Florianópolis, Torres, Porto Alegre, Uruguaiana, Paraná, Santa Fé, San Luís, Mendoza, Uspallata, Los Andes, Santiago, Mendoza, Córdoba, Rosário, Buenos Aires, Uruguaiana, Curitiba.

Placa concordia

Na estrada: viajando de carro

A viagem

Marcamos a saída para o dia 07 de julho, mas ficamos tão ansiosas que saímos dia 05. Em relação aos custos, disponibilizei R$4.500,00 em dinheiro, mais cartão de crédito onde gastamos R$2.100,00. E ainda voltamos com dimdim para Curitiba e trouxemos, inclusive, algumas lembrancinhas… quase todas para o papai.

No percurso, ficamos hospedadas em Hostel na cidade de Torres-RS, Mendoza e Uspallata (únicos lugares que fizemos reservas). Nas demais cidades ficamos em hotéis, a média das diárias ficou em torno de R$120,00.

Nossas refeições eram feitas de forma simples, sem luxo. Fomos muitas vezes ao supermercado. Nada de gastar demais. Nosso carro fez uma média de 17 kms por litro. Rodamos mais ou menos 7.500km inclusive contando os passeios (fizemos muitos passeios).

Passeios – lindos e inesquecíveis

Potrerillos

Roseli em Potrerillos

Em Mendoza fomos visitar algumas bodegas, visitamos o Zoológico, subimos o Cerro da Glória e conhecemos o Parque San Martin, ficamos hospedadas no Hostel Mi Casa, lugar agradável localizado a cem metros da entrada do Parque San Martin. Fomos a Villavicencio e retornamos a Mendoza por Uspallata, pelas cuervas de Villavicencio. Passamos outro dia visitando Potrerillos e Las Vegas. Depois ficamos um dia e uma noite em Uspallata, somos adeptas a trilhas e bike e aproveitamos para fazer lindos passeios nessa pequena cidade. Tinha neve e seguimos até Los Penitentes para esquiar. Depois retornamos a Uspallata para dormir e descansar. Nessa noite teve um tremor de terra, foi sinistro, como disse a Fernandinha.

Fernadinha em Aconcagua

Parque Provincial Aconcagua

No dia seguinte seguimos novamente a Ruta 7 até Puente Del Inca e Parque Provincial Aconcagua. Tinha muita neve. A Ruta ficou fechada algumas horas, precisei colocar as “cadenas” que eu havia alugado em Uspallata. Descemos Los Caracoles com neve, foi um pouco assustador, mas o medo nunca me paralisou, muito pelo contrário. Já era noitinha quando chegamos a Santiago, ficamos no IBIS, pois eu não tinha reserva e não queria rodar muito.

Passamos o dia passeando e retornamos no dia seguinte, pelo mesmo trajeto, dessa vez mais tranquila. Paramos novamente no Parque Aconcagua e na Puente Del Inca. Novamente estava com neve e o vento era cortante. Paramos também para a Fernanda brincar de trenó. Ela ama a neve! Em Uspallata devolvemos as cadenas e os trajes de neve que havíamos alugado ($120,00). Dormimos em Mendoza e seguimos para Córdoba, pois eu queria conhecer a universidade (coisa de professora). Depois retornamos passando por Rosário e Buenos Aires (nós já tínhamos ido de navio para Buenos Aires) então não pretendia ficar muito tempo por lá. Depois subimos para Uruguaiana e retornamos para casa, passando por Porto Alegre novamente. Chegamos a Curitiba no dia 23 de julho, às 17 horas, para a alegria do papai que estava aflito demais. Kkkk

Roseli 2

Roseli curtindo as baixas temperaturas da região

Detalhes tão pequenos

Bom, quando estava em Uspallata quebrou nosso GPS, então fizemos todo o percurso até Santiago e o retorno apenas pelos nossos mapas e guias. O cabo da bateria do nosso notebook também quebrou… Então ficamos sem internet. Mas, não nos perdemos nenhuma vez. Apenas em Córdoba precisei perguntar aonde era a saída da cidade, pois me confundi no viaduto. Mas, nada que fosse perturbador.

Neve

Fernandinha brincando na neve

A viagem toda abasteci o carro somente nos Postos YPF que são ótimos. Levei um pneu sobressalente, além do estepe mas, não precisou ser utilizado. Levei uma caixa de ferramenta (mas, também não precisei dela). Para dizer a verdade nem calibrei os pneus do carro, esqueci. Coloquei as cadenas na Puente Del Inca, pois começou a nevar forte e a polícia começou a parar os carros. No Hostel Internacional, em Uspallata, o proprietário havia me ensinado a colocar e não teve nenhum segredo. Naquele lugar que nós estavamos, eu não queria pedir para ninguém… A estrada fechou, passaram as máquinas e logo ela abriu somente para carros. E como tinha carro! Muito movimento.

Sobre a documentação

Fiz o Seguro Carta Verde com a minha seguradora, paguei R$280,00, comprei o cambão em São Paulo pela internet, paguei R$90,00. O mesmo chegou dois dias antes da viagem e ainda está na mesma caixa no meu porta malas. Não abri, nem sei se tem mesmo um cambão dentro da caixa Kkkk. Peguei o triângulo extra no carro do pai da minha filha e a caixa de primeiros socorros foi a Fernandinha que montou. Fomos na Casa China compramos uma caixa de plástico, depois fomos à farmácia e compramos diversos itens. Em casa ela pintou uma cruz vermelha na caixa. Ficou linda!!!

O carro está no meu nome então não tive problema com documentos do veículo. O pai da minha filha foi no cartório e fez uma autorização com firma reconhecida por presença e não por semelhança (essa última não serve) e autorizou que ela fosse para Uruguai, Argentina e Chile (mas, não fomos para o Uruguai).

Comprei um “bom” GPS, que quebrou e me deixou na mão, conforme falei anteriormente. Até hoje ele está no técnico para consertar. Mas, acho que vou jogar fora e comprar um melhor. Inclusive, preciso de dicas sobre isso. kkkkkk

Aconcagua

Parque Provincial Aconcagua

Sobre a polícia

Essa me parou inúmeras vezes, mas não tive nenhum problema. Segui os conselhos dos viajantes, quando passava pela polícia a Fernandinha (minha co piloto) abria o vidro do carro, eu já tirava os óculos, facilitava, e quando me pediam documentos eu tinha uma pasta transparente com todos os documentos e a carta verde em cima de tudo. Alguns momentos eles olhavam para dentro do carro, como se estivessem pensando: – Cadê o homem… kkkkk. Quando viam que eram apenas eu e a minha menina, diziam para seguir.

Ahhh… seguindo conselhos de viajantes, tirei uma cópia de todos os documentos, todos mesmo, e levei dentro de uma outra pasta, para o caso de perder ou ser furtada. Achei prudente fazer isso.

Levamos passaportes… Somos meio bobinhas e adoramos carimbos no passaporte. kkkkk

Fernandinha em Mendoza

Parque San Martin em Mendoza

Um pouco antes de Mercedes, a Policia Camineira me parou e me multou em $666 pesos. Um absurdo. Disse que eu estava com os faróis desligados, e eu não estava. Mas, como eu ia provar (int). Pois, desliguei o carro quando eles me mandaram parar. Enfim, não discuti, deixei que me multassem. Disseram que eu tinha 3 dias para pagar, depois a multa passaria para $1.333,00 pesos. Claro que não paguei a multa até o dia de hoje. Kkkkk

No Hostel, em Mendoza, conheci um Oficial da Policia, que morava em Rosário, e estava de férias em Mendoza. Ele me aconselhou a não pagar, me disse que são policiais corruptos e que queriam propina. Mesmo assim, fiquei preocupada, passei um e-mail para a minha sobrinha que mora em Foz do Iguaçu e é advogada na fronteira. Ela também me aconselhou a não pagar. Diante de duas fortes opiniões e da vontade que eu tinha de economizar essa graninha resolvi não pagar.

Bicicleta

Passeio de bicicleta em Uspallata

Na ida, quando atravessamos o Portal de entrada na Província de Mendoza, eles vieram fazer inspeção no carro, perguntaram se tinha frutas, queijos, etc…. Eu disse que não tinha e a Fernandinha logo disse: Tem sim mãe, tem bastante fruta! Kkkkkkk. Foi o maior barato. O inspetor não sabia se acreditava em mim ou na Fernanda. Kkk. No fim ele deu risada e mandou seguir. Foi ótimo pois, salvamos meia dúzia de maçãs, quase meio quilo de uva e umas três bananas. Kkkkk.

Bom, vou encerrando dizendo que não corri nenhum perigo na estrada, os caminhoneiros argentinos são gente boa, os chilenos correm demais, são meio malucos. Mas, os brasileiros são piores. As estradas são boas. Em Mendoza tinha quase 100km de pista em obras, mas foi tranquilo. Perto de Paraná, pegamos 40km de estrada em obras, mas também foi tranqüilo.

Não dirigi à noite, apenas um pouco em Santiago e um pouco em Porto Alegre na freeway. Eu não gosto de dirigir à noite.

Fernandinha

Fernandinha em Potrerillos

Sempre parava antes do anoitecer. Assim dava sempre para dar umas voltinhas e conhecer a cidade e ainda ir ao mercado.

Fiz câmbio somente em lugares confiáveis, em Uruguaiana, em Santa Fé, em Mendoza e em Santiago. Nada de fazer câmbio em lugares estranhos. Carreguei o dinheiro escondido em três lugares. Nunca deixei o carro na rua, sempre em estacionamentos. Não fiquei me expondo e nem de conversa com qualquer um.

Teve um lugar em Mendoza que o povo estava meio revoltado com os brasileiros por causa da final da Copa do Mundo, achei o clima meio tenso. Então eu e a Fernandinha resolvemos conversar apenas em inglês para que eles não nos hostilizassem. Mas, foi somente isso, logo essa galera foi embora e nós ficamos tranquilas e ainda praticamos nosso inglês macarrônico.

Roseli

Roseli curtindo a viagem

A viagem foi tão maravilhosa que seguiremos para a Patagônia no dia 14 de dezembro. Mas, isso é uma outra história…

Roseli Martins e Fernanda Martins Christmann

 

 

 

 

 

 

4 respostas
  1. Fabíola Ferreira
    Fabíola Ferreira says:

    Eu adoro os relatos das viagens…Parabéns ao Blog por esse espaço… e parabéns pra Roseli e pra Fernanda por compartilharem com a gente essa aventura.

    Responder
  2. Mah
    Mah says:

    Adorei seu relato, Roseli!
    Vc e a Fernandinha são aventureiras de carteirinha!
    Eu sou aquela do relato anterior que fez a viagem sozinha… Tal como vc, tbm resolvi escrever eu mesma a minha história…
    Próximo destino Ushuaia… Mas isso tbm é outra história.
    Beijos, meninas !!!

    Mah

    Responder

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *