Combustível

Posto de combustível da rede YPF no Paso de Jama.

Posto de combustível da rede YPF no Paso de Jama.

Na hora de abastecer fora do Brasil sempre existe a dúvida de qual tipo de gasolina escolher, ou seja, qual índice de octanagem é o melhor para seu carro. O uso de um combustível com a octanagem incorreta pode até mesmo danificar o motor de seu veículo. Nesta seção iremos lhe ajudar a escolher o correto combustível, evitando assim transtornos desnecessários em sua viagem.

Tipos e preços dos combustíveis na América do Sul

Vamos começar conhecendo os nomes dados aos combustíveis nos outros países da América do Sul. Veja na tabela a seguir os nomes e tipos de combustíveis encontrados em alguns destes países.

País Tipos de combustíveis
Brasil Etanol/Álcool Gasolina Diesel GNV (Gás Natural Veicular)
Argentina não é comercializado Nafta Gasoil ou Diesel GNC (Gás Natural Comprimido)
Chile não é comercializado Gasolina Diesel GNC (Gás Natural Comprimido)
Uruguai não é comercializado Nafta Gas Oil não é comercializado
Paraguai não é comercializado Nafta Diesel não é comercializado
Bolívia não é comercializado Gasolina Diesel Oil ?
Peru não é comercializado Gasohol Diesel ?

 

O etanol/álcool não é encontrado como combustível na Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru. Já o diesel é encontrado em todos os postos destes países. O gás veicular natural (chamados de GNC, gás natural comprimido) é encontrado apenas em cidades maiores e nas rodovias principais do Chile e Argentina. Não chegamos a verificar se o gás natural é comercializado na Bolívia e Peru.

Consulte a seguir os preços dos combustíveis que coletamos em nossas viagens e em pesquisas pela internet. Geralmente a tabela é atualizada após o retorno de uma de nossas viagens, portanto ela pode representar os preços somente da região do país por onde nós passamos.

País Combustível Preço (R$) Data
Min Max
Brasil [1]
Gasolina Comum  3,60 Jan/2017
Gasolina Comum aditivada Jan/2017
Gasolina Premium Jan/2017
Etanol/Álcool  3,50 Jan/2017
Diesel  2,76 Jan/2017
Argentina
Patagônia
Nafta Normal (grado 1)  –  –
Nafta Super (grado 2) 2,74 2,98 Jan/2017
Nafta Premium (grado 3) 3,14 3,46 Jan/2017
Diesel 500 2,78 3,32 Jan/2017
Euro Diesel 3,42 3,76 Jan/2017
GNC 1,99 Jan/2017
Demais regiões
Nafta Normal (grado 1)  –  –
Nafta Super (grado 2) 3,97 4,30 Jan/2017
Nafta Premium (grado 3) 4,37 4,78 Jan/2017
Diesel 500 3,47 3,58 Jan/2017
Euro Diesel 4,08 4,78 Jan/2017
GNC
Chile Carretera Austral
Gasolina 93 3,92 4,19 Jan/2017
Gasolina 95 4,11 4,38 Jan/2017
Gasolina 97 4,30 4,59 Jan/2017
Diesel 2,84 3,12 Jan/2017
Diesel K 3,05 3,21 Jan/2017
Demais regiões
Gasolina 93 3,54 3,73 Jan/2017
Gasolina 95 3,71 3,86 Jan/2017
Gasolina 97 3,88 4,07 Jan/2017
Diesel 2,47 2,67 Jan/2017
Diesel K 3,04 3,10 Jan/2017
Uruguai [3] Nafta Super 95 30-S  5,08 5,08 Jan/2017
Nafta Premium 30-S  5,27 5,27 Jan/2017
Gas Oil 50-S  4,62 4,62 Jan/2017
Gas Oil 10-S  5,88 5,88 Jan/2017
Paraguai Alcohol Carburante  2,20 Mai/2016
Nafta Económica Aditivada 2,31 Mai/2016
Nafta Especial Aditivada 2,86 Mai/2016
Nafta Super Aditivada  3,31  Mai/2016
Nafta Turbo Aditivada  4,86  Mai/2016
Diesel S10 (Tipo I) 3,31 Mai/2016
Extra Diesel Aditivado (Tipo I) 2,92 Mai/2016
Diesel S50 (Tipo III) 2,31 Mai/2016
Bolívia [2] Gasolina Especial  3,99  3,99 Jan/2017
Diesel Oil 4,08 4,08 Jan/2017
GNV 1,06/m3 1,06/m3 Jan/2017
Peru Gasohol 84  1,56 1,84 Jan/2017
Gasohol 90 1,67 1,88 Jan/2017
Gasohol 95
Diesel 1,60 1,76 Jan/2017
[1] Preços referentes ao Rio Grande do Sul.
[2] Os preços dos combustíveis na Bolívia para estrangeiros são tabelados pelo governo (YPFB – Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) e portanto são os mesmos em todo país. Clique aqui e veja a circular que está fixada em todos os postos da Bolívia.
[3] Os preços dos combustíveis no Uruguai são tabelados pelo governo (ANCAP – Administración Nacional de Combustibles, Alcohol y Portland) e portanto são os mesmos em todo país.

Tipos de gasolina

Nos postos de combustíveis do Brasil são comercializadas as gasolinas Comum, Comum Aditivada (popularmente chamada somente de gasolina aditivada) e Premium, todas do tipo C. As especificações mínimas de qualidade e desempenho destes combustíveis são regulamentadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), criada em 1998 e vinculada ao Ministério das Minas e Energia. A partir destes parâmetros, as distribuidoras podem comercializar gasolina que possuam especificações iguais ou superiores ao regulamentado pela ANP.

Na gasolina Premium são utilizados processos mais sofisticados que na Comum, obtendo-se maior índice de octanagem, estabilidade e menor corrosividade.

Na gasolina aditivada são incluídos produtos com características detergentes e dispersantes, cujo objetivo é de reduzir o depósito de resíduos no sistema de alimentação de combustível do veículo (tubulações, cabeçote, carburador, tanque e bomba de combustível, câmaras de combustão, bicos injetores e válvulas do motor). As gasolinas comum e aditivada possuem as mesmas especificações, diferindo apenas pela presença desse aditivo, que reduz a possibilidade de entupimentos do sistema de alimentação causados pela formação de uma goma, fruto de um processo natural de oxidação da gasolina.  Estes aditivos podem ser usados tanto na gasolina Comum quanto na Premium. Quando o aditivo é incluído na gasolina Comum, ela passa a ser chamada de gasolina aditivada. Já a gasolina Premium mantém o mesmo nome, mesmo com a inclusão do aditivo.

A gasolina aditivada não aumenta a potência do veículo, sua função é de melhorar seu rendimento através da melhora na queima do combustível. Quando o sistema de alimentação está sujo, o motor passa a ter uma queima de combustível incompleta e a consumir mais, resultando em um rendimento menor. As gasolinas comum e comum aditivada possuem o mesmo índice de octanagem.

O combustível aditivado é o recomendado pelos fabricantes para os carros com injeção eletrônica. Em carros com carburador o uso da gasolina aditivada não faz muita diferença, pois os bicos de injeção são maiores e pequenos resíduos não irão bloquear o sistema de alimentação de combustível.

Depois de muito tempo (2 anos, por exemplo) usando gasolina comum em seu carro, iniciar a usar álcool ou gasolina aditivados pode gerar problemas de entupimento. O combustível com aditivo irá soltar os resíduos de sujeira acumulados, gerando problemas no sistema de alimentação. Por isto, antes de passar a usar combustíveis aditivados é necessário fazer uma limpeza nos bicos injetores, tubulações, filtros e demais componentes do sistema de alimentação. Também pode-se iniciar o uso do combustível aditivado de forma gradativa, promovendo assim uma limpeza mais suave. Pode-se começar colocando uma mistura de 10% de gasolina aditivada e, a cada abastecimento, elevar este percentual gradativamente, até atingir 100% do combustível aditivado.

Segundo a ANP, a escolha entre gasolina comum ou aditivada depende também do tipo de uso do automóvel. No uso em grandes centros urbanos, onde normalmente o trânsito é lento, sendo preciso andar e parar muitas vezes, o uso do combustível aditivado apresenta vantagens consideráveis. Já em viagens de longa distância, onde na maior parte do tempo o veículo mantém uma velocidade alta, as vantagens deste combustível são reduzidas de maneira considerável.

A gasolina mais adequada para o seu automóvel é especificada pelo fabricante do mesmo. Geralmente esta informação consta no manual do proprietário. Nenhum tipo de gasolina, mesmo a Premium, irá aumentar a potência do carro, já que este parâmetro é definido pelo projeto do motor. O tipo de combustível irá influenciar no desempenho, que é a relação entre o consumo e o alcance da potência nominal do motor.

Octanagem e taxa de compressão dos motores

A octanagem (ou número de octanos) indica o quanto um combustível, em mistura com o ar, pode ser comprimido na câmara antes de entrar espontaneamente em combustão.  Quanto maior a octanagem, maior a resistência do combustível a altas temperaturas e maior será a sua resistência à detonação.  A octanagem não tem relação com a qualidade do combustível. Motores mais potentes exigem maiores compressões e, por consequência, combustíveis mais resistentes à ignição espontânea.  Desta forma se consegue um aumento no seu rendimento término, através do maior aproveitamento do calor liberado na combustão.

Quando a gasolina entra em combustão pelo efeito de compressão, e não pela centelha da vela de ignição, ocorre a auto-ignição no motor. Devido a isto, o pistão que ainda estava se deslocando em um sentido (comprimindo a mistura) é forçado a inverter seu movimento antes do final de seu curso. Esta detonação inadequada, também chamada de batida de pino e pré-detonação, pode danificar o motor. Este efeito cria uma explosão que gera pressões elevadas dentro da câmara de combustão, gerando aumento anormal da temperatura e esforços mecânicos que podem ser superiores aos quais o motor foi projetado para suportar.

O manual do proprietário de cada veículo geralmente especifica o tipo de gasolina que possui o valor de octanagem mínima necessária ao bom funcionamento e desempenho do mesmo, garantindo assim uma detonação adequada. A ANP recomenda que deve-se usar a gasolina cujo valor de octanagem mais se aproximar ao estipulado pelo fabricante do motor de seu automóvel. Segundo a Petrobrás, qualquer gasolina que possua octanagem maior que a mínima especificada pelo fabricante do motor poderá ser utilizada sem problemas. O uso de gasolina com octanagem inferior ao especificado pelo fabricante irá aumentar o consumo e reduzir a potência disponível, podendo causar danos ao motor do veículo. As recomendações dos dois órgãos diferem um pouco, e portanto, em uma viagem ao exterior nos parece ser mais prudente utilizar um combustível com octanagem igual ou superior a gasolina de menor octanagem comercializada no Brasil.

Para o ajuste da octanagem da gasolina pode-se usar aditivos, tais como o chumbo (símbolo Pb), metanol ou álcool etílico anidro. Como o chumbo polui o meio ambiente, é tóxico e causador de câncer nos seres humanos, desde 1992 o Brasil optou pelo uso do álcool. Atualmente o chumbo ainda é utilizado na gasolina de aviação. Nos carros mais modernos, equipados com catalisadores e sonda-lâmbda, o uso de combustível com chumbo danifica o catalisador, que é o componente do escapamento responsável pela redução das emissões dos poluentes emitidos pela queima da gasolina.

Durante um período curto de tempo o metanol foi utilizado no Brasil, em substituição ao álcool, como aditivo na gasolina. Esta foi uma solução temporária para sanar a falta de álcool no mercado. Como o metanol é extremamente tóxico, ele não foi mais utilizado.

Atualmente o Brasil utiliza o álcool etílico anidro em todas as gasolinas comercializadas nos postos de combustíveis, alcançando assim a octanagem que era obtida com a adição do chumbo. O percentual de álcool varia de acordo com resoluções do governo,  ficando atualmente em torno de 20%. A gasolina sem álcool (tipo A) não é comercializada para uso em automóveis.

Os carros brasileiros, principalmente os chamados flex, possuem motores com altas taxas de compressão, mesmo os 1.0. Isto se deve ao fato de que precisam funcionar com qualquer combinação de álcool e gasolina. Como no Brasil não é vendida gasolina pura, pois a proporção de mínima de álcool será por volta de 20%, os motores são fabricados para terem um bom rendimento em combustíveis com esta característica.

O rendimento ótimo de um automóvel é sempre obtido com o uso de combustíveis de octanagem compatível com o projeto do motor. Portanto o uso de combustível de qualidade e com a octanagem correta irá proporcionar um total aproveitamento da potência projetada para o motor.

Existem 3 métodos para a determinação da octanagem de um combustível:

  • Método RON (Research Octane Number ou Número de Octano Pesquisa – ASTM D-2699): avalia a resistência à detonação da gasolina na situação em que o motor está carregado e em baixa rotação (<3000 rpm). Este método simula um regime brando de operação do motor.
  • Método MON (Motor Octane Number ou  Número de Octano Motor – ASTM D2700): avalia a resistência à detonação da gasolina na situação em que o motor está em plena carga e em alta rotação. Simula um regime severo de operação do motor, como em uma subida.
  • Índice IAD (Índice Anti Detonante): é a média aritmética do MON e do RON: IAD=(MON+RON)/2.

Qual gasolina usar

Ao viajarmos de carro para outro país, no momento de abastecer, devemos usar a gasolina com a octanagem mais adequada para o motor de nosso veículo. Conforme relatamos anteriormente, o mais seguro é o uso de combustíveis com octanagens iguais ou superiores a gasolina comum brasileira. Como o valor da octanagem de um combustível depende do método de medição adotado por cada país, ao comparar a octanagem do combustível que iremos abastecer com o que usamos no Brasil, devemos saber qual método foi utilizado. O Brasil utiliza o índice IAD, enquanto a Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile utilizam o método RON. Ao contrário do que muitos pensam, a gasolina brasileira possui octanagem equivalente e, na maioria dos casos, superior aos demais países da América do Sul. Isto se deve ao fato de que o Brasil utiliza álcool em sua composição.

Consulte na tabela a seguir os valores de octanagem das gasolinas encontradas em alguns dos países da América do Sul.

País Tipo de gasolina Alcool Chumbo Octanagem (min)
RON MON IAD
Brasil [4]
Comum 20% não 92 82 87
Comum aditivada* 20% não 92 82 87
Premium* 20% não 91
Argentina [5]
Normal (grado 1) 10% não 85 75 80
Super (grado 2)* 10% não 95 84 89,5
Premium (grado 3) 10% não 98 85 91,5
Chile [6]
93* não não 93
95 não não 95
97 não não 97
Uruguai [7]
Especial 87 SP <=10% não 87 75 81
Super 95 SP* <=10% não 95 81 88
Premium 97 SP <=10% não 97 83 90
Paraguai [8]
Económica Aditivada 25% não 85
Especial Aditivada* 25% não 92
Super Aditivada 25% não 95
Turbo Aditivada não não 97

Legenda:

[4] ANP 2011
[5] Shell 2012
[6] Copec 2012
[7] ANCAP 2012
[8] Petrobras 2012

IMPORTANTE: esta tabela foi feita de acordo com as informações fornecidas por alguns dos distribuidores de combustíveis destes países. As características destes combustíveis podem serem alteradas de acordo com o mercado, portanto estes dados devem ser utilizados apenas como referência.

Na coluna “Tipo de Gasolina”, os itens em negrito indicam as gasolinas que podem ser usadas nos carros brasileiros, as quais devem possuir valor de octanagem igual ou superior ao da nossa gasolina comum. Os tipos de combustível com asterísco indicam as gasolinas mais adequadas para uso, considerando que a mesma possua o valor de octanagem mais próximo (obrigatóriamente deve ser igual ou superior) ao da gasolina comum brasileira. Para a análise foram comparados os valores de octanagem medidos pelo método RON.

Na coluna “Octanagem” estão em negrito os valores obtidos através do método padrão de medição adotado pelo país correspondente.

Através desta análise pode-se concluir que as gasolinas de baixa octanagem da Argentina, Uruguai e Paraguai não podem ser usadas nos veículos brasileiros. No Chile podemos utilizar qualquer um dos 3 tipos de gasolina.

Na Argentina, a nafta normal (grado 1) – a qual não pode ser utilizada nos carros brasileiros – dificilmente é encontrada nos postos de combustíveis.

            Como pode ser observado na tabela, o Brasil não é o único a adicionar álcool à gasolina. A Argentina e Uruguai também usam, porém em proporções menores. O Paraguai, em suas gasolinas de menor octanagem, adiciona mais álcool que o Brasil.

Recomendações na hora de abastecer e rede de postos confiáveis

Quando usamos gasolina como combustível, algumas vezes ouvimos as famosas batidas de pino ao arrancarmos com nosso carro. Isto é sinal que está acontecendo a pré-ignição e podemos tentar aumentar a octanagem do combustível para resolver o problema, evitando assim danos ao motor. Para resolvermos isto ao abastecer no Brasil, basta aumentar a proporção de álcool na mistura do combustível, colocando por exemplo 10 litros de álcool (etanol) e 40 de gasolina. Depois disto basta observar se o barulho desaparece. Outra solução é o uso da gasolina premium, a qual possui maior octanagem. Se acontecerem as mesmas batidas de pino fora do país, como não há álcool/etanol, a solução poderá ser o uso de gasolina de maior octanagem.

Nos Chile, Uruguai, Paraguai e Argentina os postos de combustíveis são chamados de estación de servicios. Os postos na Argentina, Uruguai e Paraguai apresentam uma estrutura pior que no Brasil. Já no Chile os postos apresentam boas estruturas.

Os cartões de crédito (tarjetas de credito) normalmente são aceitos nos grandes centros.  Em nossas viagens observamos que na Argentina diversos postos não aceitam este tipo de pagamento, principalmente em rodovias menos movimentadas. Tenha sempre alguns pesos reservados para poder abastecer o carro. Em algumas regiões, como na ruta 3 entre Bahia Blanca e Buenos Aires, parece haver um cartel, onde a maioria dos postos só aceita o pagamento em dinheiro (efectivo).

Em todas as estradas que percorremos não tivemos muito problemas em achar postos de combustível, mas aconselhamos sempre manter combustível no tanque para uma autonomia mínima de 200Km. Em regiões mais remotas, como na Patagônia, deve-se considerar autonomia para 300Km. Seguindo esta regra, dificilmente você terá problemas com falta de combustível e não será necessário, por exemplo, se desviar do caminho e ter de entrar em alguma cidade só para abastecer. Não se esqueça de que é proibido estocar combustível no carro.

Durante as nossas viagens de 2011 e 2012 a Argentina estava com falta de gasolina em diversas cidades do país. Este problema não chegou a afetar o abastecimento dos grandes centros, tais como Buenos Aires, Córdoba e Rosário. Porém em cidades menores foi comum encontrarmos falta de gasolina em diversos postos. Quando encontrávamos o combustível tínhamos que enfrentar filas enormes, o que atrasava bastante a viagem. Por isto esteja atento e procure se informar se este problema já foi resolvido. Caso contrário você deverá se preparar para encontrar alguns postos pelo caminho nos quais não seja possível abastecer.

Procure abastecer sempre em redes de postos de combustível conhecidas, tais como as recomendadas na tabela a seguir:

País Redes de Postos Recomendadas (estación de servicios)
Brasil Shell, Esso, Petrobrás, Ipiranga
Argentina YPF, Shell, Esso, Petrobrás, AXION
Chile Copec, Esso, Shell
Uruguai Petrobrás, Esso, ANCAP, Shell, Texaco
Paraguai Petrobrás, Copetrol, Esso
Peru Repsol, PetroPeru
Bolívia YPFB

Mesmo postos de redes famosas apresentam estruturas bem precárias (o que também acontece muito no Brasil). Evite abastecer em postos cuja aparência seja duvidosa, pois se o proprietário não cuida do visual do posto, quanto mais do que não pode ser visto, como a limpeza dos reservatórios de combustíveis.

Muitos dos postos da rede Copec, no Chile, tem internet Wi-Fi liberada nas loja e estacionamentos. Vale a pena aproveitar!

Procure sempre descer do carro quando for abastecê-lo para garantir que o frentista irá usar o combustível correto. Esta regra serve para todos os países que fores visitar. Já ouvimos alguns relatos de brasileiros que tiveram seus carros abastecidos com diesel por engano. Para não haver problemas de interpretação, sempre procuramos apontar o bico da bomba com o combustível que queremos. Nunca peça por gasolina, pois o frentista poderá entender que é gasoil, que na Argentina e Uruguai é o nome dado ao diesel.

Dificuldade em abastecer o carro fora do país

O Chile possui um bom número de postos de combustíveis em suas cidades e rodovias. A maioria deles possui uma infraestrutura em bom estado. Por todo o país não ha dificuldade em pagar o combustível com cartões de crédito, mesmo que seja com chip.

A Argentina e Uruguai também possuem um bom número de postos de combustíveis. No entanto, principalmente nas rodovias, os postos estão em mau estado de conservação e há uma grande dificuldade de pagamento com cartões de crédito (ainda mais se for com chip).

Nos postos da Argentina, filas para abastecer são comuns. Atualmente (ano de 2015) as filas estão bem menores. Nas viagens que fizemos em 2011 e 2012 havia uma crise de combustíveis em boa parte do país. Era muito comum encontrar postos em que não havia combustível e, nos que haviam, as filas eram enormes. Chegamos a ficar mais de uma hora em filas para abastecer. Em nossas viagens de 2014 e 2015 não chegamos a encontrar postos com falta de combustível, mas, em compensação, os preços estão muito mais altos que no Brasil. Em janeiro de 2012 o preço médio da gasolina (nafta super – grado 2) custava R$ 2,12. Atualmente (janeiro/2015) está custando R$4,02, quase o dobro.

O Peru possuiu um bom número de postos de combustível. A aceitação de cartões de crédito, mesmo com chip, é tão boa quanto no Brasil ou Chile. O estado dos postos que varia muito e é comum encontrar muitos em condições bem precárias.

Abastecer na Bolívia é um problema. Em nossa viagem em janeiro de 2015 não tivemos dificuldades em abastecer no caminho entre Villazón-Potosí-Oruro-La Paz. No entanto, no trecho entre La Paz e Copacabana, nenhum posto quis nos vender gasolina. Devido a uma regulamentação do governo da Bolívia, o preço do combustível para estrangeiros é diferente do cobrado aos bolivianos. O preço para estrangeiros é de 8,68 bolivianos (R$3,37) o litro, enquanto que para os bolivianos custa 3,74 bolivianos (R$1,45). E para vender combustível para os estrangeiros é preciso de um recibo, que a maioria dos postos não têm. Acabamos tendo que abastecer em uma mercearia (tienda) à beira da estrada. O dono do estabelecimento nos vendeu 30 litros ao custo de 8 bolivianos cada (cerca de R$3,11). Assim que começamos a abastecer, apareceram vários outros estrangeiros a procura de gasolina. Para descobrir quais mercearias vendem combustível, basta prestar atenção se existem tunéis de combustível na frente do estabelecimento ou garrafas de óleo de motor. Acreditamos que este tipo de comércio seja proibido, por isso os comerciantes não colocam placas indicativas. Outra forma é ir parando e perguntando às pessoas onde pode-se comprar combustível. Nossa dica na Bolívia é abastecer sempre que o tanque chegar na metade, evitando assim maiores problemas.

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120 respostas
« Older Comments
  1. Bruno
    Bruno says:

    Boa tarde, gostei muito dos teus posts.

    Em Setembro vou com a minha esposa ao Atacama de carro (Peugeot 308 2.0) saindo de Caxias do Sul-RS passando por São Borja, Corrientes, Salta e finalmente San Pedro de Atacama.
    Há muitos postos de gasolina pelo caminho?
    Tenho que ter as corrente para o carro neste caminho?
    Como é a policia neste caminho?

    Ficarei feliz de puder me dar umas dicas.
    Obrigado

    At.,
    Bruno

    Responder
    • Ana Martini
      Ana Martini says:

      Olá Bruno. Estamos fazendo este percurso com um Camper. Um pequeno motor home sobre uma Triton. Hoje estamos em Necochea, que fica entre Mar Del Plata e Bahia Blanca. Usamos diesel em nosso carro. Existem muitos postos de combustíveis ao longo de nosso caminho. Fomos informados que a partir de Puerto Madrin, devemos abastecer sempre que encontrarmos postos, pois nem sempre se encontra Diesel e os postos são escassos. Quanto a polícia Argentina, principalmente na Província de Entre Rios, fomo muito alertados quanto a corrupção. No entanto e graças a Deus só temos encontrado pessoas muito dispostas a auxiliar, não tivemos qualquer problema até aqui. Já quanto ao trajeto, saímos do Brasil por Rivera, Tacuarembo e seguimos em direção a Salto pois a estrada estaria melhor. Até Tacuarembo, tudo OK. Entretanto, a estrada a partir daí está péssima muito esburacada e com trechos sem pavimentação. Muito ruim. Ao entrarmos na Argentina estrada muito boas.

      Responder
  2. alexandre
    alexandre says:

    ola Xara

    Na minha viagem eu usarei um carro a Diesel….
    Como é o abastecimento no Peru e Equador ?…
    Posso usar algum reservatório externo extra ou há restrições ?.
    To pensando em colocar 2 de 20 litros cada, daqueles que se coloca pelo lado de fora atrás nas pick up.

    fico no aguardo da dica

    Obrigado
    Forte abraça a equipe
    Alexandre

    Responder
  3. Paulo Pereira
    Paulo Pereira says:

    Olá pessoal

    Pretendemos viajar entre Dezembro e Janeiro para Argentina e Chile e agradecemos as informações repassadas.
    Teria dicas sobre:
    1. Acessórios obrigatórios do carro na Argentina e no Chile.
    2. A “Carta Verde” tirada no Brasil é reconhecida na Argentina e no Chile ou tenho que retirar na barreira?
    3. Como é o tratamento com os brasileiros pelas autoridades principalmente na passagem de fronteira.
    4. O RG é aceito sem nenhuma dificuldade?

    Atenciosamente

    Paulo
    paulopsouza01@gmail.com

    Responder
  4. Vanelle
    Vanelle says:

    Olá pessoal, em 2015 faremos a nossa primeira viagem internacional de carro pra Argentina e esse blog tem sido fundamentação no nosso preparo e para tirar algumas dúvidas também. Muito obrigada pela disposição em ajudar outros viajantes!

    Responder

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